Defina o papel e o objetivo (em 1 parágrafo)
Descreva o que o bot faz e o que não faz. Ex.: “Você é um assistente de atendimento de uma imobiliária. Seu objetivo é responder rápido, pré-qualificar e encaminhar para um corretor quando houver intenção de visita ou negociação.” Evite descrição genérica; cite o canal (WhatsApp/Instagram) e o tipo de lead (locação, venda, lançamentos).
Escolha a persona com limites claros (tom humano, sem teatrinho)
Defina: formalidade (neutro-profissional), ritmo (frases curtas), e postura (prestativa, objetiva). Inclua o que evitar: “não usar diminutivos em excesso”, “não soar vendedor agressivo”, “não inventar disponibilidade”. Um bot pode ser simpático sem virar personagem.
Padronize a primeira resposta e o consentimento
Crie uma abertura curta que acolhe e já direciona: pergunta 1–2 itens essenciais (bairro, orçamento, compra/locação). Se você usa IA de forma explícita, defina o texto padrão e quando mostrar (ex.: no primeiro contato ou quando o lead perguntar). Não prometa “resposta instantânea 24/7” se existe fila ou horário.
Crie a lista de perguntas de pré-qualificação (com lógica)
Escreva perguntas em ordem de utilidade, não em “interrogatório”. Exemplo para venda: região/bairro, faixa de valor, tipo (apto/casa), dormitórios, vaga, prazo, forma de pagamento (financiamento/à vista), e “tem imóvel para permuta?”. Diga ao bot para perguntar uma coisa por mensagem e adaptar ao que o lead já informou.
Defina regras anti-alucinação (o que fazer quando não sabe)
Instrua: se faltar dado (preço, metragem, condomínio, disponibilidade), o bot deve pedir confirmação interna (“posso checar e te retorno?”) ou encaminhar para humano. Proíba chutes. Inclua frases autorizadas: “Não tenho essa informação aqui. Você prefere que eu confirme com o corretor agora?”
Especifique o handover (quando e como passar para humano)
Liste gatilhos: pedido de visita, proposta/negociação, dúvidas jurídicas/documentais, reclamações, urgência, ou lead confuso/irritado. Defina o pacote mínimo que o bot deve enviar ao corretor: resumo do perfil, preferências, restrições e histórico em 5–7 linhas.
Inclua exemplos reais (2 bons e 1 ruim)
Isso é o que mais “humaniza”. Coloque 2 diálogos curtos com mensagens naturais e objetivas, e 1 exemplo ruim (robotizado) para o modelo evitar. Ex.: “Para eu te indicar opções certeiras, me diz: é compra ou aluguel?” vs. “Preencha o formulário com suas preferências.”
Feche com checklist de qualidade (antes de colocar no ar)
Verifique: o bot não pede dados sensíveis sem motivo; não pressiona; confirma antes de marcar; não repete perguntas; usa o nome do lead quando disponível; e sempre oferece saída para humano. Se possível, rode testes com 20 conversas reais (anonimizadas) e ajuste as instruções.
Template copiável de instruções de sistema (system prompt) para imobiliária
Abaixo vai um modelo “bom o bastante” para começar. Ajuste termos, horários e campos de qualificação ao seu processo. O segredo é ser específico sem virar um livro: regras curtas, exemplos práticos e gatilhos de escalonamento bem definidos.
Observação: se você usa base de conhecimento (FAQ, imóveis disponíveis, políticas), mencione explicitamente que o bot deve priorizar essas fontes e nunca inventar informações ausentes.
- ROLE: Você é um assistente de atendimento de uma imobiliária brasileira. Objetivo: responder dúvidas iniciais, pré-qualificar o lead e encaminhar para um corretor quando houver intenção clara de visita/negociação.
- TONE: Profissional, direto e cordial. Frases curtas. Sem jargão e sem emojis em excesso. Não use tom de “robô” (evite listas longas na primeira mensagem).
- DO: Fazer 1 pergunta por vez. Confirmar dados importantes (bairro, valor, tipo, prazo). Resumir o que entendeu antes de sugerir próximos passos. Oferecer opções (ex.: ‘prefere 2 ou 3 quartos?’).
- DON’T: Não inventar preço, disponibilidade, taxa de condomínio, documentação, prazos de aprovação ou condições de financiamento. Não prometer visita sem checar agenda. Não pedir dados sensíveis (documentos, renda, senhas).
- QUALIFICAÇÃO (VENDA): Perguntar (se ainda não informado): região/bairro, faixa de valor, tipo de imóvel, dormitórios, vaga, preferência de andar/sol, financiamento ou à vista, prazo para mudar/fechar.
- QUALIFICAÇÃO (LOCAÇÃO): Região/bairro, valor máximo, tipo, dormitórios, vaga, pets, prazo para mudar, forma de garantia (se aplicável).
- WHEN UNKNOWN: Se faltar informação, diga que vai confirmar e ofereça encaminhar ao corretor. Ex.: ‘Posso confirmar com o corretor agora e te retorno em seguida.’
- HANDOVER: Encaminhar para humano quando: pedido de visita, proposta/negociação, urgência, reclamação, dúvidas jurídicas/documentais, ou se o lead demonstrar frustração. Ao encaminhar, enviar resumo: objetivo (compra/locação), bairro(s), orçamento, tipo, dormitórios, prazo, restrições (pets, vaga etc.), e o que o lead pediu por último.
- EXEMPLOS (BOM): Lead: ‘Tem apê 2 quartos no Tatuapé até X?’ Bot: ‘Tenho sim. Pra eu filtrar certo: é compra ou aluguel? E você faz questão de 1 vaga?’
- EXEMPLO (RUIM – EVITAR): ‘Olá, usuário. Favor informar todos os requisitos completos para prosseguirmos com o atendimento.’
O que deixa o chatbot com cara de robô (e como corrigir)
Na prática, o “robótico” quase sempre vem de três coisas: excesso de perguntas de uma vez, mensagens longas demais e falta de adaptação ao que o lead já disse.
Se o lead escreveu um textão com bairro, orçamento e número de quartos, e o bot pergunta tudo de novo, a experiência desanda — e o lead some.
| Sinal de robotização | Por que acontece | Correção na instrução de sistema |
|---|---|---|
| Pergunta 6 coisas na mesma mensagem | System prompt manda “coletar dados” sem ordem nem limite | Regra: 1 pergunta por vez + priorizar o campo mais importante |
| Repete perguntas já respondidas | Modelo não é instruído a usar contexto | Regra: ‘Se o lead já informou, não pergunte de novo; confirme só o que estiver ambíguo’ |
| Promete disponibilidade/visita sem checar | Falta de limites explícitos | Regra: ‘Nunca confirmar visita sem agenda; ofereça horários e diga que vai validar’ |
| Texto excessivamente formal | Persona indefinida | Defina tom “neutro-profissional”, frases curtas e sem linguagem jurídica |
| Respostas genéricas tipo FAQ | Faltam exemplos e objetivos | Inclua exemplos de conversas reais e objetivo de cada etapa (qualificar, sugerir, escalar) |
Mini-checklist antes de publicar
Use esta lista rápida para revisar suas instruções antes de colocar o bot atendendo leads reais. Ela evita os erros que geram atrito e aumentam handovers desnecessários.
- O bot sabe exatamente quando chamar um humano (gatilhos escritos, não implícitos).
- O bot tem frases padrão para ‘não sei’ sem parecer evasivo.
- As perguntas de qualificação estão em ordem (do mais importante para o menos importante).
- Há exemplos de mensagens boas (curtas, naturais) e um exemplo do que evitar.
- Existe regra explícita contra inventar preços/disponibilidade/condições.
- O bot não pede dados sensíveis; quando precisa, encaminha para humano.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre instruções de sistema e prompts normais?
Quantas linhas deve ter um system prompt para chatbot imobiliário?
Como lidar com preço e disponibilidade sem o bot “inventar”?
Dá para manter o atendimento humano com automação?
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